Transporte nas plantas (parte 2)
Hipótese da pressão radicula
A ascensão de água no Xilema pode, ser explicada por uma pressão que se desenvolve ao nível da raiz, graças à ocorrência de forças osmóticas. A contínua acumulação de iões nas células da raiz tem como consequência a entrada de água para a planta. A acumulação de água nos tecidos provoca uma pressão na raiz que força a água a subir no xilema.
Dois fenómenos que apoiam esta teoria são:
Exsudação : subida contínua da água, mesmo cortando ou podando as suas extremidades.
Gotação : Libertação de água sob a forma de gotículas pelas folhas através de estomas aquíferos. Este fenómeno ocorre geralmente de manhã, já que a maior absorção de água ocorre durante a noite.
No entanto, esta teoria não consegue explicar alguns factos:
>> A pressão radicular medida em várias plantas não é suficientemente grande para elevar a água até ao ponto mais alto de uma árvore grande.
>> A maioria das plantas não apresenta gutação nem exsudação.
>> As plantas das zonas temperadas não apresentam exsudação nos planos de corte, efectuando até, por vezes, absorção de água.
Hipótese de Tensão-Coesão-Adesão
A hipótese da tensão-coesão-adesão explica a ascensão da seiva bruta desde a raiz até às folhas com base na existência de uma relação entre a absorção radical e a transpiração estomática ao nível das folhas. Constitui um dos modelos mais aceites para explicar o transporte de seiva xilémica.
A ascensão da seiva xilémica é explicada pela dinâmica criada por dois fenómenos relacionados: a transpiração estomática a nível foliar e a absorção radicular. A energia solar é a principal responsável pela transpiração, pondo em movimento ascendente a coluna de água e solutos. Na ascensão da seiva xilémica intervêm vários fenómenos sequenciais:
- Perda de água por transpiração, ao nível das folhas , cria um défice de água, o que origina uma força de tensão que se transmite até ao xilema e a partir deste às células da raiz e à solução do solo, o que determina a absorção de água na raiz ;
- As moléculas de água unem-se por pontes de hidrogénio, devido a forças de coesão, o que vai facilitar sua ascensão em coluna;
- As moléculas de água também estabelecem ligações com as paredes dos vasos xilémicos, por acção de forças adesão que vão facilitar, também, a ascensão em coluna da água contínua;

Hipótese do Fluxo de Massa
A Hipótese do Fluxo de Massa baseia-se na existência de um gradiente de concentração de sacarose entre os órgãos produtores e os órgãos consumidores ou de armazenamento.
- A glicose é convertida em sacarose antes de chegar ao floema;
- Por transporte activo a sacarose passa para as células companhia (que produzem energia) e destas para os tubos crivosos;
- À medida que aumenta a concentração de sacarose no floema, aumenta também a pressão osmótica, em relação aos tecidos circundantes;
- A água entra por osmose nos tubos crivosos, aumentando a pressão de turgescência;
- A pressão de turgescência empurra a seiva através das placas crivosas, movendo-se a seiva das zonas de maior pressão para as zonas de menor pressão;
- Conforme as necessidades da planta, a sacarose vai passando para os locais de consumo e reserva (pensa-se que por transporte activo);
- Nos tubos crivosos o meio fica hipotónico, pelo que a água tende a sair por osmose;
- Nos órgãos de consumo e reserva a sacarose é degrada em glicose (e usada na respiração celular ou como componente de outros compostos), ou polimeriza-se em amido (ficando em reserva).
Limitações desta Teoria:
>> Não explica a translocação – movimento floémico bidireccional;
>> Os modelos físicos indicam que a pressão provocada pelo fluxo de massa não é suficiente para empurrar a seiva através das placas crivosas.
